A Ceramista

Poemas velhos para velhos problemas e riscos de novas soluções. A gente sempre aprende a perder no melhor estilo. Transformei a ceramista agora numa personagem de carne-e-prosa, é um conto. Imagina, logo, eu, toda chatilda, escrevendo um conto, inacreditável. Darei notícias. E sigo tão atrasada quanto o coelho da Alice… ai, ai.

Uiara: Imagem retirada do blogue ótimo Oficina de Cerâmica João do Barro, atelier situado no Rio – vale a visita ao menos eletrônica.


A CERAMISTA

Trago comigo coisas abandonadas.
Coisas que os homens jogaram fora:
placentas, gânglios, guirlandas, guelras.

Marize Castro, “Muralha”

a partir de Concha e Aurora,
criações de Ângela Barros e Alberto Guzik


agora já são cinco privês
antes era um prédio respeitável

escavo escadas ante a mudez
do elevador, guilhotina pichada

no pó suspenso no ar
catedrais de coisas abandonadas

e lá dentro chafurdo com minhas duas
mãos nas peças de cerâmica

e como parteira tiro do barro
um caco, um vaso, um sonho, um sopro

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