POETRY… it… takes… a lot of.
A internet às vezes inunda. É difícil isso do excesso - procurava um poema do Bukowski pro Mário, logo ele, que é sempre tão gentil, amoroso, isso subitamente triste que soube agorinha, mas também não encontro um verso que sirva, não encontro, li tantos, tantos, que passou o momento, acho que o fragmento do verso que é título chegaria a algum lugar.
DESPOJOS: Ontem foi magnífica a performance para a Gabriela Golder, artista argentina, que participa da Red Bull House of Art (evidente que a conheci por intermédio de dona Lelê), uma dessas pessoas brilhantes, generosas.
A Gabriela trabalha com vídeo e convidou outros artistas para escreverem um texto sobre “Despojos”: aquele Hotel Central, onde está a exposição, Anhangabaú, São João, a lembranças dos donos de fazenda que iam à ópera no Municipal, um 3º andar agora inabitado, véus de noiva de pó no chão, segredos de móveis rangendo. Cada um produziu um texto então e foi filmado. A instalação é assim: habitar o hotel de histórias, com pequenas televisões em cada um dos cômodos, transmitindo as leituras hóspedes, janelas.
O processo foi daqueles intensos: uma proposta, uma noite, dores de cabeça, vinho, aimeudeus, texto pronto, afe e vamos lá gravar. Isso foi antes de Ubatuba. Voltei. E ontem, especialmente para o dia da abertura da exposição, fizemos então a performance
: cada um leu em um quarto, com luz mínima. O público entrava, visita o incomum hóspede, escolhia ouvidos, fazia comentários, sujava-se de pó, enxergava nossos fantasmas ali estendidos como um lençol de renda.
Duas horas de duração. A Maiara foi toda branco, o Rodrigo estava com uma cara linda. O Gal ficou espremidinho lendo-lendo num canto suas histórias de amor por tantos lugares. O Daud leu indignado, sem camisa (inspiração cestacquiana?) e luvas de borracha amarelas. O Sentelhas não escutei em minha única voltinha, pena. O Márcio sei que arrasou, lendo um regulamento de hotelaria. Dos outros não digo, sou ruim de memória e estava bem mula-sem-cabeça. Fui descalça e fiquei imunda. E nunca há água suficiente que nos limpe disso tudo, de estar ali, dessa doação de partilhar.
A festa depois foi festão. Disso a gente não fala, prometo. Só que a Lelê e a Gabriela tavam deslumbrantes, a produção foi impecável, a Camila de tiara resplancente, encontrei o Jozz, finalmente o Tymo, enfim, noite boa. Depois posto foto. Aliás, quem puder me enviar, agradeço!
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OBSERVAÇÃO SOBRE A FOTO: A foto do post é do Gal Oppido, retirei do álbum que está no facebook com o nome de “Hotel Av São João Ale Cestac 02“: trata-se de uma foto para o TE QUERO (trabalho-irmão do DESPOJOS), realizado pela Alessandra Cestac. Escolhi para vc entender o que é um desses quartos de hotel.
Esse tb vc tem que conferir com toda a calma. Essa mesma que o Gal descreve as linhas de um corpo. E que a Lelê prepara esses quartos. E que Gabriela filma, é isso? até dia 13.12
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[INCIDENTE: Ah, sim: o terrível incidente mencionado abaixo acabou como um revelamento daquele dos maravilhosos, esses que ocorrem nas melhores épicas. É sempre bom se sentir viva, embora seja invariavelmente bem estranho].
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