em que ana conta tudo… próximo livro
(ei, não é o Canek na foto! é uma vira-latinha vizinha do supercão)
Nesses dias desanimei. Muita chuva e incômodos. Queria poder escrever no blogue sobre as coisas que realmente quero, mas nunca é possível, tem gente olhando, então vamos mudar de radicalmente assunto… hum… ficar fingindo que é bem sucedida, glamourosa, falar do projeto premiado pelo ProAC, que para até alguns dearest friends era meio segredo. E pq? Às vezes dá vergonha de contar tudo, ora, sabe disso não? E já fez uma reflexão sobre as relações entre criar-suspense e ter-vergonha? Instrutivo, sempre.
Colo o que mais ou menos enviei burocraticamente pra Secretaria de Cultura com umas alterações alucinadas. Dessa maneira também vira um compromisso contigo:
1. RESUMO: Nós que adoramos um documentário é projeto relacionado à criação e publicação de livro de poesia, com aproximadamente 80 páginas. Agora pensei que umas fotos cairiam bem e tive umas outras idéias mirabolantes, ai, ai, começou.
2. CONTEÚDO DA OBRA: Os poemas que compõem Nós que adoramos um documentário fazem alusão irônica ao gênero audiovisual documentário, cuja produção é muito vívida e criativa no Brasil.
A partir da incapacidade da poesia em realizar um documentário e absolutamente ser capaz de realizar isso, a autora tece considerações sobre a própria infância, cria personagens imaginários sobre o presente e faz previsões para o futuro.
Trata-se de uma paródia às auto-biografias, tão atuais e festejadas, sendo esta fantasiosa e eivada de mentiras descaradas. Olha o EU aí, Ériquinha! (Aliás, curti a forma do teu artigo, “apostando em uma continuidade no gesto da escrita, sempre um gesto de decisão, como o faz Llansol“).
Os elementos reais escolhidos foram (a) experiência da infância passada no litoral de Ubatuba, assistindo-se confortavelmente a degradação ambiental, os conflitos de terra e amores entre caiçaras, novos moradores e turistas; (b) a experiência do presente incerto da mulher de 30 anos, residindo na capital de São Paulo, cheia de paixões sem o menor sentido, trabalho demasiado, cirurgias, trânsito e tinturas de cabelos, e (c) a experiência imaginada para o futuro: sendo o poeta o vate por excelência, aquele capaz de realizar vaticínios, previsões, os poemas tecerão idéias para os próximos 27 anos, neste eixo Ubatuba-São Paulo, serra-mar, trabalho e humanidade.
(tem uns lances sobre Cemitério do Pari e o Shopping Cidade Jardim que não mencionei no projeto original, pq iriam me achar louca. Embora eu absolutamente seja. E sou apaixonada pela palavra absolutamente. Aguardem)
Assim, os eixos do passado, presente e futuro são trabalhados por meio dos três planos que dividem a obra:
• Ubatuba, ano de 1983
• São Paulo, ano de 2010
• Ubatuba/São Paulo, ano de 2037
Dessa maneira, a partir dos questionamentos individuais da história passada, presente e futura, Nós que adoramos um documentário provoca o leitor (espero) a rememorar e a imaginar as próprias experiências, em um convite ao outro, ao que poderia ter sido, ao que poderá ainda acontecer.
3. DISTRIBUÇÃO ELETRÔNICA E DIREITOS AUTORAIS LIVRES: Além da tiragem de 1.500 exemplares, a obra será disponibilizada em formato eletrônico para download. Os direitos autorais serão livres para reprodução e distribuição não comercial e também para a produção de obras derivadas. Não é mais que a obrigação, né? Até lá também pensarei em algum presente mirabolante autoral, como manda meu próprio modelito.
* * *
Agora, diga para mim, honestamente, será que o tal do fazer poético é desobedecer planos burocráticos previamente traçados? Começou.
E nem me diga honestamente nada - descobri que ser “honesto”, se vc acredita em inconsciente, é impossível. Hehe, Daud, welcome back!
test Filed under Sem categoria | Tags: ning |2 Responses to “em que ana conta tudo… próximo livro”
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absolutamente cheio de vontade de ler isso aí, ana. a explicação do livro (adoro explicações de “como funciona”) já é inspiradora… dá vontade de fazer também.
oi, brunooo… essas explicações são boas até pra gente mesmo. embora lendo agora esse post aí, fico já cheia de dúvida.
enfim, ando rabiscando bastante. quem sabe?
um beijo grande, e faz sim um desses!