diretamente da Cidade Mais Feia do Mundo

janeiro 21st, 2010

Queria escrever assim um post deslumbrante hj, mas estou com uma preguiça dos diabos (faz uns 3 dias já). Desisti. Cito, sem nenhuma conexão lógica, que descobri um grupo interessante, os Neuróticos Anônimos (NA), que recebi notícias do Siará e que o ruim da internet é isso, que vc não pode abraçar pessoas. Aliás, como em qualquer parte.

Li artigo do Marcelo Pisarro sobre a transmissão televisiva do Haiti & e nossa recepção das notícias confortável no sofá da sala. Nem digo que fiquei deprimida com as opiniões do nerd all stars, pq ando meio impassível, entretanto o cara manda bem: “El género podría ser thriller, o terror, o drama, o documental, o catástrofe. Pero no. Es otra cosa: infoentretenimiento” (retirado de Mirando haitianos muertos por tevé). Para vc que é praticamente um poliglota e entendeu perfeitamente a frase, não irei traduzir.

Bom, nem é novo isso. Tenho a mesma sensação - há muito que essas notícias terríveis todas se transformam em uma grandíssima novela, como se o melodrama fosse ainda a única forma passível de informar a civilização ocidental de suas mazelas (e empurrar tudo para baixo do tapete, claro). O melodrama já formata tudo numa maneira padrão de sentir, uma maneira standartizada de organizar os sentimentos, da comoção bem medida e mastigadinha, do boa-noite tranqüilo vindo dos achados-vivos embaixo dos escombros para vc poder dormir bem, com a esperança no coração, levantar e ir trabalhar, comprar e se divertir. E a novela da desgraça se prolonga no tempo, com reviravoltas bem medidas, para vc não achar que sua vida é um tédio (ai, falei, desculpa).

E bote aí uma happy face, que não há nada mais cafona que gente sem entretenimento. Happy face e beeem magrinha, bebericando um café cadavérica antes de desfile. Sooo 2002 discutir anorexia no SPFW. Auschwitzlook sempre será tendência, amada. Every woman adores a Fascist.

Refiz um poeminha de abril passado, the cruellest month, breeding, umas alterações vagabundas - desde então parece que choveu tanto. Sempre chove demais. E aqui, na Cidade Mais Feia do Mundo, tudo se relega às águas. Inesquecendo que a tentativa global de novo cartão-postal de São Paulo é estaiada sobre cocô.

A foto , por exemplo, cheira bem mal.

.

chove tanto e eu queria que me internassem
aí vc iria trazer uns docinhos pra mim
me visitaria com a frescura dos já que podem ir
desejaria: ei, sorte na vida!

entretanto, foram os teus responsáveis
que agora me proibiram de te visitar
e logo deram ordens
aos homens de branco e de preto.
agora nem sei mais:
levei sempre chocolates às quintas-feiras
sempre roguei pelamordedeus
ai, jesusamado nessa hora de aflição
na certeza da enfermeira que comeu os docinhos.

e nem sei mais se tivemos um nome
nem se fomos um dia qualquer tipo de coisa
mas estacamos ali, porta muda de duas faces
rabiscando nossas inicias em cinza
umas letrinhas na lata dura
até que parasse a hora de chover
e aqui parece que sempre chove demais.

.

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4 Responses to “diretamente da Cidade Mais Feia do Mundo”

  1. Daud on janeiro 21, 2010 19:26

    Agora que eu parei o meu, posso ler direito os dos outros. Melhor assim, não? Aliás, é impressão minha ou isto daqui já não é pra de menor? E sim, o novo livro está soando bem, as coisas boas nascem em ninhadas, parece.

  2. Paulom on janeiro 21, 2010 20:51

    anar, minha memória, mesmo esvaída no tempo, me lembra que eu gosto mais do original.
    beijo!

  3. admin on janeiro 22, 2010 8:06

    Daud,
    achei suspeito o elogio, me parece que é um ‘desculpa, não tenho mais blogue’. pois, viu, nascem em ninhadas que nem camundongo.
    tenho um monte que tá ainda na mão, ainda da época do pós-operatório, quando tiver coragem, dou uma limpada neles. esses que falam de ubatuba.
    ah, sim, nunca é para menor.

    Paulom,
    o original vc lê no dia 25 de abril de 2009 (não consegui colar o link). a maior diferença é que neste de ontem há a divisão em estrofes. o que talvez mesmo seja dispensável. mas houve uma certa faxina aí que acho que fez bem - se depois quiser olhar e dizer…

  4. admin on janeiro 22, 2010 8:06

    Daud,
    achei suspeito o elogio, me parece que é um ‘desculpa, não tenho mais blogue’. pois, viu, nascem em ninhadas que nem camundongo.
    tenho um monte que tá ainda na mão, ainda da época do pós-operatório, quando tiver coragem, dou uma limpada neles. esses que falam de ubatuba.
    ah, sim, nunca é para menor.

    Paulom,
    o original vc lê no dia 25 de abril de 2009 (não consegui colar o link). a maior diferença é que neste de ontem há a divisão em estrofes. o que talvez mesmo seja dispensável. mas houve uma certa faxina aí que acho que fez bem - se depois quiser olhar e dizer…

    beijo pros 2

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