O Contrabando da Fernanda!
Ehhh! Finalmente um post zuperlegal, nada como receber contribuições! Lembram que no final do ano passado distribuí novamente Acordados?
Entonces, a Fernanda Carvalho, do blogue Metropolis Thoughts, mandou fotos de sua distribuição - que lindas! Puxa, muitíssimo obrigada! E escolhi o texto dela que vai abaixo para publicar.
(É algo que sempre pensamos, não? Pq se escreve? Acho que aprendi cedo demais e virou hábito. Uma forma de dar importância aos próprios pensamentos. Que quase nunca são brilhantes, evidentemente. E por isso mesmo se escreve. Pra fingir que dão uma melhoradinha. Podia dizer ainda que não queria restar sozinha, dói muito. E que queria mudar as coisas no mundo. Pra fingir que dá uma melhoradinha. O pior é que vc também aceita todas essas palavras melhoradas)
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KIT, PARTE I: Quem recebeu o Contrabando da Fernanda
Essa é a Leka, 28 anos, fotografa/editora vídeos
E essa daqui, a Olivia, 29 anos, que trabalha em rádio famosa
e ainda a Pri, 26 anos, estudante de arte na Sothebys/Londres
(afê, que gente chiqueee!)
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KIT, PARTE II: Texto da Fernanda
Estou cansada de uma certa atitude impregnada
A literatura anda impregnada de certo realismo subjetivo contemporâneo, que, além de carregar imaginação escassa - um mal que atinge o mundo em diversas áreas - concentra-se praticamente nos mesmos assuntos: sexo, drogas, violência, angústias, descontentamentos pessoais.
Nada mais choca num ambiente em que violência é cotidiano. A imagem da criança atrelada a um revólver chega a ser comum. O saco de cola do menino de rua fica até como cena de segundo plano. A política não se divide mais em direita e esquerda. Heróis já morreram de overdose há mais de duas décadas. Ideologia é nostalgia. Enfim, o que está fora de padrões?
Tecnologia? Esta é a inovação do mundo atual, talvez uma das raras coisas que mude parte de nossos padrões. Distâncias passam a ser insignificantes; possibilidades, infinitas; conexão, uma exigência. Uma evolução fenomenal que, ao mesmo tempo, aproxima e afasta as pessoas, prende-as em si, em seus mundinhos. Um movimento paradoxo. Por um lado, o ganho de formas de contato, por outro, a perda do contato real. E por estranho que pareça, com os que estão mais perto, vizinhos, família. Um individualismo valorizado e desconectado.
Já ouvi de autores de hoje: “Escrevo porque preciso”. Precisa?
Do que nós precisamos realmente hoje?
Os valores e necessidades estão conturbados, confundidos pelo mercado, pela tecnologia, pela mídia, pelo não parar, não pensar, pela falta de genuinidade, por uma velocidade que anda fazendo com que até a Terra gire mais rápido em volta de seu eixo. Eixo: é com esta conexão que precisamos nos preocupar. Acho que escrever não é sobreviver. Para começo de história, precisamos de ar, água e comida.
Prefiro os que escrevem porque a vida é um romance. Parece que estes, ao menos, sentem algum desconforto; seguem o fluxo oposto da maré, ou possuem algo íntegro como a dedicação a um projeto. Uma ambição maior que o próprio umbigo.
Ficaria mais preenchida com autores menos gentis, ou, quem sabe, cansados de mentir para conviver. As pessoas, ultimamente, não têm mais tempo para se incomodar.
Bom, ao menos, já gosto quando encontro algum tipo de percepção sútil.
Fernanda Carvalho, 03.12.08
test Filed under Sem categoria |6 Responses to “O Contrabando da Fernanda!”
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Eu sinto que muitas pessoas não precisam mais do contato real, vivem uma vida totalmente virtual..e egoísta como a Fe descreveu no texto.
eiiii adorei o blog, adorei aparecer nele, adorei ganhar o livro (depois que acabar de ler, acho q vou adorar tb…), e adorei o texto da Fê!!!!
oi, olivia e leka! que prazer em recebê-las aqui!
sim, olivia, o egoísmo nessas paragens brancas fede bem alto, imagino pq muitos acham que aqui são mais protegidas, têm uma carapaça de id, não sei.
e leka, às ordens entonces, espero que não a decepcione.
beijos pras duas
Parabens!
As fotos ficaram lindas. Vale a pena conferir o blog da Fe tambem.
A Fernanda cada dia que passa esta escrevendo melhor, ela tem uma visao muito legal sobre os temas que ela procura abordar.
Beijos,
Às vezes penso nessas coisas que a Fernanda escreveu e tenho uma sensação parecida: por que escrevemos tanto sobre desesperanças e dor hoje em dia? Será que como um autor famoso (quem?) escreveu a literatura se alimenta do sofrimento (ou foi sem sofrimento, não há literatura?). E daí me lembro de uma do Tim Maia sobre o Ed Motta, quando este começava a estourar: “ele ainda vai ter de levar muito corno para poder escrever músicas que prestem”. Será? Leio um monge zen-budista, o Thich Nhat Hahn. Ele sempre escreve: o sofrimento ensina, ele pode nos levar à`felicidade e à liberação se o ouvirmos, mas é preciso se alimentar das alegrias da vida para poder encará-lo com força, vitoriosos. Vixe! Escrevi um monte. Um beijo, Ana.
olá, roger, obrigada pela visita, vale a pena sim conhecer o metropolisthought.blogspot: “uma salada conceitual, uma janela para recomeçar com o novo olhar” (tinha um erro no link aliás, já corrigi, sorry!).
e héber, hum-hum, acho que há muita literatura sobre felicidade e liberação. na minha frente tenho o “detetives selvagens”, do bolaño, que não é filosófico, mas é engraçadíssimo, serve? penso também no “macunaíma”, que li pela enésima vez esses dias… e EVIDENTE que pode escrever muito num comentário!
beijo pros 2