esgartuladamente
Lembro nitidamente de minhas milhões de leituras de Emília no País da Gramática do Monteiro Lobato, puxa, era um dos meus prediletos, que garotinha insuportável não era, espera ansiosamente que a professora da escola chegasse nas lições que eu já tinha aprendido pelo livro, tão maluquete quanto o Quati de Pelúcia. Um dos capítulos que realmente me comovia era o das palavras velhas, as que perdem o uso e são banidas da língua. Se não me engano, a Emília tinha um pouco de nojinho delas, enfim, típico da Emília e de muitas pessoas ainda das melhores.
E lendo hoje um texto do Saramago sobre a palavra esgártulo me deu um sentimento difícil. Imaginar que essa palavra feia, que não me traz nenhuma lucidez de sentido, uma palavra baça, um dia esteve num poema de amor. E que seu sentido às vezes nunca mais foi recuperado, morre uma idéia de civilização.
Sem mais o que dizer para vc e sem nenhum sentido na emenda, sempre pior que os sonetos, completamente esgartulada, se estiver amanhã pela Av. Paulista, no Instituto Cervantes, haverá um evento que me pareceu muito interessante em lembrança ao Dia Mundial do Livro: Poesia e Guerra Civil, diálogos e intervenções.
Com exibição de vídeos de queridos como o Alejandro Méndez e a Nurit Kasztelan da Argentina, a Rocío Ceron e o Yaxkín Melchy pelo México, o HH pelo Chile, o Julio Serrano pela Guatemala, dentre outros nomes e países. O evento conta com a inteligente preocupação de balancear convidados e convidadas, estrangeiros e brasileiros, tudo da melhor qualidade, ainda com a presença (física, hehe) do Edvaldo Santanna e a professora de literatura Margareth Santos.
Enfim, para ficar um gostinho, assisti o vídeo-poema do Fábio Aristimunho, que participa do evento - está incrível, ele anotou onde está a casa dele em Foz do Iguaçú, mostrou a Ponte da Amizade, o pessoal sacoleiro, a Polícia Federal e até o Bud lambendo o dedo (coisinhas semi-privadas para a Laís, hehe).
A única coisa que resta dessa tristeza toda é ter uns amigos assim.

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Ana, não sei se você conhece este site ‘Save The Words’ (http://www.savethewords.org/). quando li o texto do Saramago, lembrei imediatamente dele. E agora você acrescentou mais uma dimensão, o desse universo das palavras velhas e esquecidas da Emília, livro que também li algumas milhares de vezes. engraçado que, com toda essa onda da reforma ortográfica eu não havia feito a ligação (lembro muito bem da discussão que a Emília fazia de sua indignação de não entender porque o trema ainda existia!). Acho que está na hora de reler Lobato. bjs
Estou bem curioso pra ver o vídeo dos outros participantes, que o meu, a despeito da precariedade do resultado final, me deu um trabalhão! E o Bud veio me atrapalhar quando eu tava filmando. Eu refiz a gravação, mas ficou tão legal e inusitado que incluí a participação especial dele no fim.
Bjo., que bom que gostou.
oi, claudinei!
ah, super esses save the words - perdi um bom tempinho de meu dia nisso. monteiro lobato é bom ler para discordar também, a gente lia numa idade em que muita coisa ainda não era muito clara (aliás, imagina agora, haha).
e sn… digo, fábio, eu achei ótima a edição. bem caseira e contente, não perde em conteúdo. tenho certeza que todo mundo ralou para chegar num resultado final. beijos
esta vmuito bom