crônicas passarinhanas

Ainda no mesmo assunto, comentei com a vizinha próxima sobre a estranha mania do pássaro em bater, sem nenhuma hesitação, a cabeça com tudo na janela

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– Ah, ele aprendeu com a Dirce. – disse a vizinha com convicção e sem me enxergar.

– Com quem? – perguntei.

– Com a Dirce. – assenta distraída.

– A Dona Dirce? A antiga moradora? – agora estou absolutamente atenta ao diálogo.

– É, ela colocava pão pros pássaros bem ali no peitoril da janela.

– Mas eu acho que o passarinho vê a araucária refletida no vidro – repliquei – por isso bate a cabeça na janela, sei lá, acha que é uma passagem secreta pra outra dimensão.

– Não, foi com a Dirce que aprendeu.

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Pensei um pouco. Sou lerda.

– Ei, mas eu moro aqui já faz alguns anos! – lembrei ainda que Dona Dirce não morava lá havia um bom tempo, calculei… uns bons dez anos.

– É, mas foi com ela que ele aprendeu.

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Fiquei imaginando os pássaros, de geração em geração, aprendendo a bater a cabeça na janela com tudo pra chamar a atenção. Deve valer bem uns nacos de pão.

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(qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência – deixe-me inventar em paz)

 

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