Escritos, textos entregues, xícara de chá

Escrevi hoje boa parte do dia e da última semana. Deveria estar exausta, mas musculação, amizades, risadas e corrida parece que fazem bem também aos miolos. Daí li o post do Rodrigo van Kampen, “Estou há pouco mais de um mês sem redes sociais, e é disto que sinto falta” e me deu vontade de escrever aqui.

O Rodrigo discorre sobre muitas coisas e farei parecido, embora irei escolher um fluxo mais desorientado de assuntos. Antes de tudo, fico me perguntando, as redes sociais nos privam disso: de ler o Rodrigo e escutar a sua voz em alguns trechos. De ler o texto longo e não responder no mesmo momento, não curtir. Só menear a cabeça, discordar, refletir.

Fiquei com saudades do teclado, de meu diário sobre coisas que observo, vim te escrever. Fiz um chá de cidreira, coloquei um casaco. Comprei esses dias uma garrafa azul térmica só para chá, evitar tomar rios de café. Técnicas para celebrar a vida.

Saudosista das formas. Da carta, do post longo. Por isso adoro newsletters. Conversas de bar. Podcasts. Clubes de leituras no Goodreads. Longos chats no Telegram. Assistir debates públicos. Espaços em que você sabe quem está ali, qual o motivo de você estar ali, qual o tempo para acessar.

Nem passamos a metade de agosto e parece que vivi três anos neste ano. Aprendi muito.

Terminei hoje uma noveleta para a Revista Mafagafo. Nem sei te dizer a felicidade que foi encaminhar este texto. Se está bom? Não sei, creio que o melhor que pude fazer com minha experiência até agora. Um “teste de conceito” – um universo que pretendo explorar e este é o ponto de partida, proof of concept. Recebi ajuda de um monte de gente, quando for publicado, haverá nudes e efusivos agradecimentos. No fundo, é divertido ter que aprender a escrever novamente, construir personagem, arco narrativo, desfazer tudo, errar pacas.

Tive uma escola muito maluca de escrita, muito alto modernista. Quase como aprender a pintar retrato na fase cubista do Picasso e depois querer fazer um retrato realista.

O que é uma noveleta? Gosto da classificação do Hugo, o prêmio. Conto vai até 7.500 palavras. Noveleta entre 7.500 a 15.500. Novela entre 17.500 e 40.000 palavras. A partir de 40 mil, estamos no romance. Claro que há outros critérios além de extensão – você pode incluir a complexidade da trama, a alteração de cenas e um monte de outras coisas, inclusive a opinião de quem escreve. Gosto da extensão, pois você bate o olho e entende sobre o que está falando.

Neste fluxo desorientado de quem teve que entregar muitos textos com pé e cabeça e, no momento de diversão do diário de campo, se recusa a algo que não seja barriga, anoto: vc deve assinar feeds.

É bom demais para a saúde ler, por exemplo, o Feedly, cujas fontes você alimentou. Mantenho assinaturas de site que vão dos temas “mindfulness practice” a “science fiction” (sim, óbvio que há muitos pontos em comum). Hoje, além do post do Rodrigo que me trouxe aqui, encontrei a transcrição do discurso da V.E. Schwab que o Castilho tinha mencionado no site da Tor. O discurso é tão bonito e a fala dela é tão contagiante que prefiro nem te dizer, só deixo o link (ainda não há em português, me desculpa).

Faz isso. Instala um aplicativos de feeds no teu celular. Escuta podcast.
Frite menos e leia mais.

Fechei também um conjunto de poemas esses dias. Se estão bons? Me agradam e isso é tudo. Legal que me pediram poemas para publicar hoje, mandarei esses. Tem dias que detesto terminar um poema. Gosto de ficar ali, poder deixar a porta aberta e entrar naquele universo de volta. Um deles até agora não terminei. Talvez nunca termine. É bom não terminar alguns poemas. Até deixarem de serem importantes.

É muito bom vir aqui e poder te escrever.

 

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