me concede a dança.

Amanhã ocorre o lançamento da 2ª edição do “Sarabanda” pela Editora Patuá.

Olhe, mesmo que você ache que lançou alguns livros e que não ficará nervosa, não adianta. Na segunda-feira, ainda de madrugada, torci para a semana começar. Fiz preparativos mentais inúteis, já que a parte mais difícil mesmo da divulgação passou. Outro dia, dancei na sala. Fui comprar alecrim de bicicleta. Quebrei um ovo sem querer. Há um nervosismo gostoso no ar. E até um novo livro na cabeça, vejam só.

A vantagem de escrever é que se ganha muito em troca. O Nahoum ficou me fazendo perguntas difíceis sobre o título “Sarabanda”. Dei umas explicações vagabundas e ele redigiu um textinho no fb, fiquei emocionada.

“A Sarabanda é nossa. Só nós sabemos como dançá-la. E era hora de recuperá-la dos soturnos europeus, que a tomaram e devolveram naquela forma grave e muito mais palaciana. Mas a poesia aqui não é a das suítes de Bach ou Handel. Este livro não é uma suíte barroca. Paulo Ferraz nota que o samba cabe na palava sarabanda e isso não é trivial. Quaisquer que sejam suas remotas origens, a Çarauanda foi uma dança popular na América Colonial Espanhola antes de cruzar o Atlântico e ser censurada e proibida pela lascívia que provocaria nos participantes e a afronta à ordem e moral públicas. A nossa sarabanda, fruto do encontro do europeu com os afetos tropicais, era visto como um baile infernal que incendeia as pessoas. Proibida por reis e pela inquisição, a Çarauanda tem como registro de nascimento justamente um poema panamenho de 1539. Por algum tempo, enquanto o barroco não a domesticou com seu ar solene, o poema foi o que se conheceu em Europa da dança. O que nos restou da Zarabanda colonial é a folia, cujo nome também já é representativo. E se um Kubrick ou um Bergman quiseram-na por ser a representação das virtudes do comedimento, nós recebemos a poesia de Ana Rüsche como a devolução necessária da zarabanda/çarauanda para seu campo afetivo e semântico original: o dos nossos afetos colonizados, mas tropicais”.

O prefácio à quatro mãos da Catrópa e da Abigail então… fico lambendo igual cria. Cito dois trechinhos:

“A crítica, por certo, jamais está acima do bem e do mal, mas imersa nas próprias contingências, paira. Não angelical; antes, como ave de rapina que, discreta, sobrevoa o campo até que algo lhe aguce a vista. Daí a atitude muda. E todo o seu rumo é o mergulho, a captura, a deglutição. Parasita do objeto, a crítica sobrevive dele. Como se fosse um corpo que bica, desfigura, descarna. Para transformá-lo em algo diverso: o combustível de seu novo vôo”.

“Aí me vejo embrenhada naquele outro tipo de imagens obsedantes que também te capturaram, Andréa, em teias de múltiplos fios e sobretudo compostas por uma elevada acidez: buracos/corpo. E incrível e belo que desses orifícios podem sair sonhos ou cacos, “lá dentro chafurdo com minhas duas / mãos nas peças de cerâmica”. Na dualidade de um erotismo que seduz e também pode cortar quem chega perto: “tenho uma navalha no meio das pernas. / quer ver?”. Sim, vejo aqui a piriguete simbólica nas meninas que nunca foram donzelas ou nas flores que nunca ganharam”.

(e mantivemos, mesmo sendo uma edição “revisada e diminuída” carta-prefácio do Paulo Ferraz, que ainda julgo ser a melhor parte do livro)

É isso, uma hora para celebrar os amigos, a faculdade de se estar viva e respirar, de ter um cachorro, duas mãos e um coração no peito.

Queria agradecer mais uma vez aos editores: à Aline, muito organizada, linda e rápida, e o Edu por sua incansável e quixotesca empreitada. Também fica o agradecimento ao Vanderley, sem o qual este livro provavelmente nunca existiria.

Lançamento: dia 25/09, das 19h às 22h, no bar Canto Madalena. Rua Medeiros de Alburquerque, 471, Pinheiros (é a rua do sacolão da Vila).

Título: Sarabanda

Autor: Ana Rüsche

Gênero: Poesia

ISBN: 978-85-64308-81-7

Número de Páginas: 100

Formato: 16×23

Preço: R$ 30 + frete. Editora Patuá avisa: Livro em pré-venda. Todos que realizarem a compra antes do lançamento receberão o exemplar autografado após o evento. Aproveite!

 

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