NaNoWriMo 2018: decisões, sinopse e capa

Sigo aqui com a pequena série sobre NaNoWriMo. Diante de tudo que tem acontecido ao planeta, me sentei aqui ao lado para te dar um abraço com um keep going, keep writing e tentar transmitir toda a potência curativa e criativa da literatura. Vamos escrever, vai? Faz bem para a alma.

Como temos ainda 2 dias até novembro, deixo aqui três coisas que você pode fazer de véspera. São passos importantes de preparação que garantirão maior longevidade a teu ânimo.

+ NaNoWriMo chegou! Quem vem?

Um conselho básico: não se impressione e não embarque na tensão competitiva. Sei que há gente que já possui rascunhados fichas de personagens, arco narrativo, regras do universo, invenção de vocabulário, tudo bem, excelente. Mas há gente sem nenhuma noção do que irá escrever. Assim, sem stress nenhum, vamos com calma, um dia de cada vez. Respira.

Este post se destina a qualquer pessoa que pretende ir adiante no desafio.

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Defina o que você fará durante novembro

O desafio oficial do NaNoWriMo é escrever um texto de 50 mil palavras.

Entretanto, no Brasil, novembro é mês para entregar trabalhos universitários e muitas vezes fechar projetos, bem diferente do cenário nos EUA (escrevi sobre as origens do projeto aqui). Se achar que será uma época difícil, calcule e pense o que você pode fazer. Aproveite a energia criativa do mês para fazer coisas maravilhosas: decidir terminar um original, revirar a gaveta e achar aquele conto que você gostaria de melhorar, editar um texto, revisar e finalizar uma novela. Há muita coisa para ser escrita!

É tão comum isto que existe um nome: nano rebelsrebeldes do NaNoWriMo. Na Wikirimo, a definição diz que são participantes que escolhem escrever algo que não seja o tal romance de 50 mil palavras. Algumas espécies de rebeldes decidem revisar e editar romances já escritos, outras perambular entre mundos da não ficção, escrever roteiros para games, audiovisual, quadrinhos, escrever uma autobiografia, traduzir, manter um blog, uau, a lista de ideias é extensa!

Decidi separar o mês para continuar escrevendo meu atual romance. Já tenho umas 8 mil palavras escritas e pretendo chegar em 40 mil. Meu novembro pretende ser movimentado, darei um curso, aulas particulares, preciso entregar um original de não ficção e ainda escrever um artigo, fora editar episódios do Incêndio na Escrivaninha, podcast sobre a incrível vida de quem escreve. Assim, decidi uma meta bem realista: revisar o que escrevi até agora e produzir a primeira versão de um original de 40 mil palavras, algo semelhante a um livro de 120 páginas. Factível.

Assim, te convido a fazer uma decisão: o que irá fazer em novembro?
Espie calendários, remexa em gavetas, revise o coração. Qual projeto você poderia tocar em 30 dias?

No Twitter, você pode reforçar teus planos e os compartilhar com a hashtag #NaNoBr. Aproveita para seguir a conta oficial @NaNoBrazil. O Arthur Marchetto da Escotilha, @arpmarchetto, compartilhou esses dias os próprios planos e pode te inspirar.

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Produza uma imagem de capa

Seja no desafio tradicional ou na rebeldia, estabelecer uma imagem de capa é excelente. Na plataforma do projeto, ao inscrever o teu plano, você pode fazer upload de arquivos de imagem em jpg, png ou gif, que serão  cortados no tamanho 230 x 300 pixels.

O primeiro motivo para produzir uma capa é que uma imagem, por mais que seja amadora, nos traz uma materialidade a um desejo. Se você visualiza a coisa, talvez ajude a alcançar e se manter na meta para alcançar o teu objetivo.

O segundo motivo é que a imagem de capa traduz muitos elementos da narrativa (ou da não ficção) que você pretende produzir. Ambientação, gênero literário, obras com que pretende dialogar. É uma outra maneira de raciocinar sobre o teu projeto, em uma outra linguagem.

O terceiro motivo é… diversão! Fiz a minha em perceptíveis 15 minutos, hehe. Com editores como o Canvas ficou bem mais simples fazer uma imagem digital de capa de livro, de roteiro de game ou seja lá o que for que você irá fazer em novembro.

Desperte aquele desejo de designer em você!

Separei alguns artigos para te inspirar:

 

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Escreva uma sinopse

Preparar uma sinopse é relevante, pois é o momento de consolidar o pacto interno do mês. Resumir o que você produzirá é um treino para a vida lá fora. Afinal de contas, na vida real, explicar projetos de escrita faz parte do cotidiano de quem escreve e pode ser habilidade útil para a conversa com a tua vizinha (que quer entender que diabos você tanto digita!) e até mesmo apresentar a uma pessoa do mercado editorial o teu projeto.

Ao escrever a sinopse é normal encontrar alguma dificuldade. Você deverá estabelecer algumas premissas do projeto. Por exemplo, apresentar minimamente quem será protagonista, quais forças serão antagônicas, fornecer alguns detalhes de cenário e ambientação, assim como definir o gênero de sua narrativa.

Na plataforma do projeto, há um campo específico para você postar a sinopse e até para deixar um excerto do texto.

Se você decidir por ficção, não deixe de escutar o episódio ótimo do Curta Ficção, podcast com a Jana Bianchi e o Tiago Lee:

Curta Ficção #049 – Reagindo a Sinopses
Nesse episódio, Jana Bianchi e Thiago Lee reagem a sinopses de livros disponíveis no Goodreads, apontando as coisas mais atrativas ou mais desestimulantes de cada uma. Esse ainda não é o esperado episódio sobre logline, premissa, argumento e como escrever sua sinopse, mas é um episódio divertido que dá algumas dicas, na prática, do que levar em consideração na hora de resumir sua história e vendê-la para o leitor.

A minha sinopse, feita em outros perceptíveis 15 minutos, é a seguinte:

Uma garota terá que passar por estrita quarentena para entrar em país estrangeiro, onde sua língua é proibida. Refugiada, foi a única sobrevivente de uma rara catástrofe ambiental, um bolor engolfou sua cidade de origem. Entre tudo que é desconhecido, somente trouxe consigo uma mala vermelha e aprendizados de magia nas mangas.

Gane é o que toda a propaganda define como perfeição. Não exibe nenhum trecho de pele visível, uma máscara vinílica azul clara sela pescoço, rosto, pulsos. Sua profissão é manter sistemas sob controle. Em comum com a garota, possui a característica estranha: não consegue encostar em pessoas.

Em um planeta Terra com muros altos, vigilância estrita e ratos gigantes que se alimentam de gente, Gane e a garota estabelecerão uma relação improvável. D&R é um livro que borra limites entre ficção científica e fantasia, retratando catástrofes ecológicas em um mundo sem privacidade e com imigrações massivas. Entretanto, o original não se rende ao desespero distópico. D&R reforça a máxima: onde há poesia, há magia.

Ao terminar de escrever essa sinopse, tive certeza: se a vizinha vier me perguntar que eu tanto digito, vou responder, ah, estou só fazendo um curso de digitação. Se tua sinopse for também meio maluca, anota essa resposta.

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