Minha palavra de Ano Novo

Resiliência. Palavra gasta, sapato velho. Gasta como esperança nos cartões de Natal. Gasta como empatia, homeopatia aos dias. Gasta como a gratidão dos hipsters.

diário de campo: palavra de bolso

Afinal de contas, resiliência? Nos usos metafóricos, está relacionada a “vontade”, “flexibilidade”, “tenacidade”. A tatuagem com nevertheless, she persisted. A voz de mulher que entoa o levanta, sacode a poeira.

Uma qualidade de metais, ecossistemas. Materiais e sistemas integrados que conseguem retornar a uma forma ou posição original mesmo após uma perturbação, uma carga energética, um acontecimento. A habilidade de reagir e resistir a situações inesperadas.

Pego a palavra sapato velho e ensaio alguns passos. Resiliência. Ninguém se engana. No solado, traz tudo o que o capetalismo nos pede de malabarismos e sufocos cotidianos. Na couraça, traz uma qualidade rara, quase uma palavra para se calçar um Ano Novo. Resiliência. Mais dura que gratidão. Mais bicuda que empatia. Mais sombria que esperança.

Palavra sapato velho que já tem a forma de nossos pés e o tamanho de nossos sonhos. Quase adivinha quando se está a postos, um pé na estrada e o outro no batente da dúvida. Resiliência. Um ensaio, a certeza da queda. Um salto, o risco do passo. Um voo, a incrível paisagem do porvir. Resiliência. Me concede a dança.

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+ Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima

+ Nevertheless, she persisted

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