vem vadiaaaar, vem vadiaaaar…

Minha maior vingança é ter essa aparência completamente inofensiva. Isso parece fala de personagem, mas não é. Não pude estar na Marcha das Vadias e achei fofo que algumas pessoas ligaram da Paulista no “cadê você?”, na certeza absoluta que estaria por lá. Lendo os relatos (abaixo linko dois) e assistindo os vídeos, deu aquele siricutico de fazer um algo, sabe?

Bruna Provazi: Nem putas, nem santas: livres

Todas Nós: SlutWalk SP: um grito diversificado contra o machismo

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É que li um e-mail da Srta. Bia, em que constava o “Vai vadiar, vai vadiar”, musiquinha que todo mundo conhece bem. Comecei a cantar e percebi com o costumeiro horror que a letra retratava algo a que estamos horrorosamente acostumados: um homem acusando a mulher de vadia, mais ou menos pq ela não queria um lar – mas você não se acostumou à vida de um lar – o que você quer é vadiar. Fiquei imaginando esse “lar”: o cara chegando do trabalho, exigindo o jantar, abrindo a cerveja e gritando pelo futebol, enfim, as cenas tétricas do cotidiano. Cito minha estrofe predileta:

Quem gosta da orgia

Da noite pro dia

Não pode mudar

Vive outra fantasia

Não vai se acostumar

Eu errei quando tentei

te dar um lar

Você gosta do sereno

E meu mundo é pequeno

Prá lhe segurar

Vai procurar alegria

Fazer moradia na luz do luar

Vai Vadiar!…

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Importante perceber que a interpretação é complexa, pois a parte que todo mundo gosta de cantar é o vai-vadiar, o que faz com que o lamento desse eu-lírico não seja compartilhado por quem canta, certo? Não simplifiquemos. E a música acaba assim “vai procurar alegria/ fazer moradia na luz do luar/ vai vadiar!”, meio que num consolo com a situação.

Como muitas vezes sou nutrida pelo sereno e pelas risadas à luz da lua, obviamente alguns mundos são realmente pequenos para mim. Enfim, fiquei com vontade de reescrever a música, não consegui ainda tempo-cabeça (queria ajuda!), mas fiz o pedacinho do refrão (tava fácil, né?).

Uma nanomanifestação de pelúcia.
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